::Caso
Elza Maria Pereira dos Santos::
::Leia também:
::Ação
indenizatória por danos patrimoniais
e morais::
::Cópia
dos Boletins de Ocorrência registrados::
::Fotos
do manifesto contra a impunidade no
caso Elza::
::Carta/Denúncia
para o Ministério Público::
::Acatamento
da denúncia pelo Ministério
Público::
::Resposta e providências tomadas
pelo Senador Eduardo Suplicy::
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Dia
27/01/2006 minha mãe
foi até o Hospital
e Maternidade Jardins,
queixando-se de dores
fortes de cabeça
e ptose palpebral (queda
da pálpebra esquerda).
Foi
atendida pela Dra. Eliana
no P.S. às 11:00hs
e ficou a tarde inteira
aguardando avaliação
do neurologista. Como
este não apareceu
ela foi internada. |
|
Fui
informada da internação
às 19:00hs e me dirigi ao Hospital,
lá chegando às 20:30hs,
não encontrei nenhum médico
de plantão no andar que ela
estava, mas fui informada pela equipe
de enfermagem que o neurologista não
estava no Hospital e não tinha
previsão de horário
para chegada. Que o diagnóstico
inicial era Paralisia do III NC (terceiro
nervo craniano) e que eu deveria retornar
no dia seguinte pela manhã
e falar com o neuro.
Fui para casa e retornei às
8:30hs no dia 28/01, não encontrei
o neuro, conversei com o clínico
geral Dr. Paulo que me deu várias
respostas evasivas mas que por ele
minha mãe já teria tido
alta pois o quadro não era
grava e normalmente essa paralisia
era reversível, porém
ele preferia aguardar a opinião
do neuro. Voltei pra casa e às
16:00hs no horário de visita
ela ainda não tinha sido avaliada.
O neurologista, Dr. Carlos M. Acosta
Serrano, chegou somente às
17:30hs, examinou-a apenas movendo
uma caneta de um lado para outro,
no que minha mãe informou que
estava ficando tonta (Tudo isso na
minha presença, da minha vó
e de outra paciente). Deu alta para
ela apenas com esse exame, eu questionei-o
sobre a gravidade da situação,
perguntando se não era perigoso.
Ele limitou-se à responder
que não havia nenhum perigo,
pois o que tinha de acontecer com
ela já havia ocorrido e que
só voltasse lá mais
ou menos depois de 5 dias com o resultado
de uma ressonância magnética
que ele pediu. Ela foi para casa,
passados 2 dias foi comprar frutas
no Shopping Iguatemi, desmaiou, foi
levada ao Hospital das Clínicas,
deu entrada com nível 4 que
evoluiu rapidamente para nível
3 (Nossas funções cerebrais
têm uma escala regressiva de
15 à 3. 15 são as pessoas
que estão saudáveis
e 3 é a morte). Foi dada morte
cerebral no dia seguinte como causa
hemorragia intracraniana.
Resumo:
Não estou questionando o diagnóstico,
o que matou minha mãe foi a
negligência. Se os médicos
tivessem realizado exames imediatamente
no dia 27/01 as chances de vida de
minha mãe aumentariam consideravelmente.
Dores fortes de cabeça, tontura
e ptose palpebral, são indícios
evidentes de aneurisma cerebral, constam
em vários sites da net para
qualquer um pesquisar, não
precisa ser médico pra saber
que esse tipo de problema requer intervenção
imediata.
Ela
tinha 54 anos, não tinha problemas
de saúde, deixou minha vó
com 83 anos, debilitada e que dependia
dela para sustento. Desde o Natal
minha mãe visitava este hospital
com os mesmos sintomas, mas o descaso
é tão grande que não
se deram ao trabalho de encaminhá-la
à outro órgão
que tivesse aparelhagem adequada para
fazer tomografia ou ressonância.
E depois disso venho constatando que
isso ocorre lá diariamente
e impunemente há mais ou menos
3 anos. Eles vêm vitimando fatalmente
ou causando seqüelas irreversíveis
em pacientes.
Movi
uma ação civil e registrei
boletim de ocorrência e agora
preciso talvez, da mais poderosa das
armas: a informação.
É minha obrigação
divulgar o que ocorre diariamente
neste Hospital e tentar impedir que
outras vidas sejam ceifadas tão
absurdamente e outras famílias
passem o que estamos passando.
Me
uni à outras vítimas
do mesmo órgão e realizamos
uma manifestação na
porta do Hospital.
Levei
o caso aos jornais e denunciei ao
Ministério Público,
o CRM instaurou uma sindicância
mas até agora nenhum órgão
apresentou um parecer.
Marcia Pereira Vilerá