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::Mãe perde a filha e o útero durante o parto.

O autônomo José Humberto de Lima, de 41 anos, morador no Jardim do Lago - Jundiaí - SP, está revoltado. Na tarde de 15 de fevereiro deste ano ele teve de fazer o sepultamento de sua filha Maria Luiza de Jesus. A bebê morreu asfixiada ao nascer no Hospital Universitário, segundo o laudo do Instituto Médico Legal (IML) de Jundiaí. Para piorar a situação, a sua mulher perdeu o útero durante o trabalho de parto.

José disse que os médicos não quiseram fazer cesárea, apesar de haver documento da Unidade Básica de Saúde (UBS) da Prefeitura de Jundiaí orientando o profissional de que a paciente exigia cirurgia, do contrário haveria complicações.

José soube que a sua filha nasceu já em coma, devido a demora no nascimento pelo parto normal. "A menina ficou 10 horas no balão por falta de oxigênio e morreu", comentou. Para o autônomo, que viu uma matéria do "Jornal da Cidade" do dia anterior, de uma outra menina que morreu porque "o parto foi tardio", segundo o IML, "a situação é grave e as autoridades precisam tomar providências".

Vizinhas de José comentaram que a mulher dele "ficou com o útero estourado" e condenaram os médicos por não fazerem cesárea.

 

::Morte de bebês
::Investigações em hospital de Jundiaí

A Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Jundiaí convocou em dezembro de 2004 os médicos Francisco Pedro Filho e Glauce M. Cavenage, do Hospital Universitário(HU) a prestarem depoimento sobre o parto de Edilaine Alves Lima, de 18 anos, dia 24 de novembro do mesmo ano.

O bebê de Edilaine morreu e ela acusa os médicos pela morte, que atribui à demora para fazer a cesariana. Os médicos a teriam feito esperar por 21 horas para tentarem o parto normal. O caso foi registrado pela delegada Fátima Giassetti como averiguação de homicídio culposo.

A Polícia Civil de Jundiaí apura mais cinco mortes de bebês no HU e dois casos de lesões graves em recém-nascidos.

A dona de casa Niedja de Oliveira Silva de 30 anos, também procurou a DDM para reclamar do atendimento que recebeu no hospital. Ela conta que teve a filha em maio e que os médicos deixaram placenta, o que teria provocado hemorragia por vários meses. Niedja diz que está com anemia. Foi feito um boletim de ocorrência de averiguação de negligência médica e de lesão corporal culposa.

O médico Francisco Pedro Filho é o diretor-clínico do Hospital Universitário. No parto de Edilaine ele foi o assistente de Glauce Cavenage. A direção do HU afirma que a morte do bebê de Edilaine foi uma fatalidade e que ela recebeu um bom atendimento. Outros médicos e funcionários do hospital serão ouvidos no mesmo inquérito, de acordo com a delegada Fátima Giassetti, da DDM.

Diante das denúncias de famílias que perderam bebês, representantes do Conselho de Saúde pediram ao Ministério Público que exija a reabertura da maternidade da Casa de Saúde "Doutor Domingos Anastásio", fechada quando o HU foi inaugurado, em outubro do ano passado. Os conselheiros afirmam que o Hospital Universitário, que atende parturientes de toda região de Jundiaí, está sobrecarregado. A direção do HU nega que esteja tendo dificuldades de atendimento.

O promotor Claudemir Batalini confirmou reunião com os representantes dos hospitais que atendem pelo SUS. Vereadores pediram a abertura de uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) para apurar irregularidades na Saúde de Jundiaí, mas foi rejeitada pela maioria. Assim, as investigações continuarão por conta de uma comissão especial.

Fontes:
Blog Jundiaí
Agência Estado
Jornal da Cidade (Jundiaí)

 

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