::Caso Mauricio::
Leia
também:
::Matéria
publicada no Jornal Tribuna do Povo,
em Araras, SP::
De
julho a novembro de 2003, Rose Rezende
trilhou uma difícil caminhada
ao lado de seu irmão. E os
reflexos dessa caminhada estenderam-se
até os dias de hoje.
Mauricio
Pereira Silva
Vítima fatal de negligência
médica |
Mauricio Pereira
Silva faleceu
em novembro daquele
ano aos 38 anos de idade,
na cidade de Araras
– SP,
vitimado por negligência
médica em um
quadro pós-cirúrgico.
Sua perda gerou muita
dor aos familiares e
amigos, mas com um sentimento
paralelo de inconformismo.
Como pode o desleixo
de alguns se sobressair
à ética
profissional que todos
deveriam possuir?
Na
busca de várias
respostas às
suas dúvidas
e na procura de uma
solução
para enfrentar esse
doloroso falecimento,
Rose conheceu muitas
pessoas envolvidas em
casos semelhantes ao
seu e que também
estavam passando pelas
mesmas dificuldades.
Surgiu daí a
semente para o “ProVida
- SOS Erro Médico",
uma ONG disposta a ajudar
e a oferecer apoio para
estas pessoas. Porque
as mesmas mãos
que curam, também
matam!
Leia
o caso:
É
cediço que nas
ações
indenizatórias
por danos morais e materiais,
decorrentes do óbito
de parente direto, a
legitimidade ativa ad
causam é detida,
não pelo espólio,
mas sim pelos sucessores
em nome próprio.
Os danos morais vinculados
à morte de ente
querido integram o patrimônio
individual de cada um
dos herdeiros, não
se traduzindo em bens
ou direitos deixados
pelo de cujus e, portanto,
sujeitos a partilhamento.
|
|
É
o que se depreende no caso em tela,
tendo em vista que a requerente é
irmã do “de cujus”
e sofre gravíssimos danos emocionais
ocasionados por sua morte prematura
e evitável, conforme se verá
na explanação inicial.
A
requerente não deseja para
si nenhuma compensação
financeira por tal sofrimento - uma
vez que eventual indenização
será revertida para alguma
associação que tiver
entre seus objetivos a defesa das
vítimas de erro médico
– de sua escolha, mas quer e
necessita que o provimento jurisdicional
possa aplacar a dor e conferir ao
“de cujus” a dignidade
de, onde quer que esteja, saber que
sua morte não foi em vão.
DOS
FATOS:
Mauricio
Pereira da Silva, doravante referido
apenas como “Mauricio”,
era cliente do Dr. ???????????, que
doravante denominaremos apenas como
“Dr.?????”, para facilitar
o entendimento. No dia 8 de Julho
de 2003, Mauricio teve dores abdominais
e no dia seguinte procurou o Hospital
Pró Saúde ficando
em observação, sendo
realizados exames.
No
dia 11 de Julho de 2003, constatou-se
que aquela dor era sinal de infecção
e como nos exames do ultra-som não
foi constatado onde era a causa do
problema, suspeitou-se tratar de problemas
no apêndice. Foi encaminhado
para cirurgia e o corte foi feito
mais ou mesmo na parte superior do
abdome e ao se fazer à incisão
constatou-se que o problema na realidade
era divertículite, sendo que
um divertículo estava inflamado
no intestino. Foi necessário
retirar-se parte do intestino e colocar-se
a colostomia, onde o intestino é
desviado de seu curso normal, sendo
feita uma abertura no abdome e ali
colocada uma bolsa para coleta das
fezes. Tal cirurgia foi realizada
no Hospital do Convênio Pró-Saúde
pelas Dras. Tâmara e Paola.
Mauricio
ficou internado no pós-operatório
por mais de 15 dias sendo que tal
primeira cirurgia foi bem sucedida,
sem qualquer complicação
posterior. Houve acompanhamento próximo
pela Dra. Tâmara e o quadro
clínico era bastante favorável,
sendo orientado que após 3
meses da cirurgia poderia ser feita
a retirada da colostomia e a religação
do intestino. No entanto, tendo em
vista que o Hospital Pró-Saúde
não possuía Unidade
de Terapia Intensiva, a Dra. Tâmara
orientou Mauricio a procurar outro
médico que pudesse fazer tal
cirurgia em local apropriado, à
saber, o Hospital São Luis,
onde está disponível
uma CTI, se houvesse necessidade.
Foi
escolhido o Dr.????, gastroenterologista,
para tal mister. Da mesma maneira
foi escolhido o Dr. !!!!. Uma vez
que o dr. ???? tinha vaga na agenda
para consulta foi o consultado em
primeiro lugar. Em tal consulta foi
dito a Mauricio, na presença
da sua irmã Rosemary, que tal
cirurgia de religação
era absolutamente simples e seria
como “arrancar um dente”
além de tecer críticas
à Dra. Tâmara por esta
haver feito a primeira cirurgia num
Hospital que não possuía
equipamentos apropriados para tal
situação. Ao mesmo tempo
informou que fosse ele que houvesse
feito a primeira cirurgia ele não
teria utilizado a colostomia. Neste
aspecto o Dr. ???? claramente garantiu
resultado, sendo tal procedimento
cirúrgico, a partir de então
observado por Mauricio e por seus
familiares como uma obrigação
de resultado e não como obrigação
de meio. Tanto foi assim que se dispensou
a opinião de outro profissional,
no caso o Dr. !!!!, dada a segurança
que lhes foi passada pelo Dr. ????
naquela ocasião.
Em 19 de Outubro de 2003, Mauricio
internou-se novamente com a finalidade
de fazer o fechamento da colostomia
e a religação do intestino
para que pudesse defecar pelos meios
naturais. Tal internação
foi feita no Hospital São Luiz
e a cirurgia de religamento foi realizada
pelo Dr. ????. Em 21 de Outubro foi
submetido à cirurgia acima
mencionada e conforme relatório
anexo na fl. 11 (verso) a referida
cirurgia ocorreu sem qualquer anormalidade.
Porém,
no mesmo dia, conforme o mesmo relatório
médico, a equipe de enfermagem,
fez ligação telefônica
para o Dr. ????, informando que o
curativo estava sangrando e molhando
a cama, sendo autorizado a troca do
curativo e mantendo a medicação
anteriormente prescrita. Bom ressaltar
que tal orientação foi
dada via telefone e que o Dr. ????
não acompanhou mais de perto
o pós-operatório de
Mauricio. (Relatório anexo
fl. 12).
Na
visita feita após as 18 horas
naquele dia, o Dr. ???? afirmou que
era desnecessária a ligação
telefônica feita para ele porque
era absolutamente normal vazar sangue
no pós-operatório e
as próprias enfermeiras poderiam
cuidar disso sem sua supervisão.
Quando a requerente disse que o vazamento
era tamanho que molhou a cama e pingava
no chão o Dr. ???? disse que
isso era normal e que as enfermeiras
“não sabiam de nada”
e ”ficaram assustadas à
toa”. Tal vazamento ocorreu
quando da transferência de Mauricio
da maca da sala de cirurgia para a
cama no quarto. As enfermeiras assustadas
com o vazamento tão forte telefonaram
e tal procedimento não foi
por não saberem de nada, mas
por estarem assustadas com algo que
não viam normalmente ocorrer,
pela quantidade de líquido
que saia do corte cirúrgico
e do curativo.
Em
22 de Outubro de 2003, novamente de
acordo com o prontuário médico,
Mauricio apresentou hipertermia (febre
alta) de 39,5º e hipertensão
(pressão alta) de 18x10. A
ligação telefônica
para o Dr. ???? teve que ser reiterada,
uma vez que não houve retorno
da primeira ligação,
e prescreveu-se, por telefone, o medicamento
Capoten 25mg, sem porém que
o Dr. ???? sequer tivesse olhado o
paciente. Tal informação
foi transmitida pela secretaria do
consultório do Dr. ???? e não
por ele pessoalmente ou por telefone
diretamente à equipe de enfermagem.
(Relatório anexo fl. 17 verso)
Neste
intervalo foi recebido o resultado
do exame anátomo-patológico
da boca da colostomia e detectou-se
um processo inflamatório crônico
leve. Ou seja, isso significa, que
a primeira cirurgia feita pelas Dras.
Tâmara e Paola estava absolutamente
perfeita e que não haveria
qualquer motivo de preocupação
concernente a mesma, nada indicando
que houvesse qualquer infecção
anterior que pudesse agora estar provocando
tal hipertermia e hipertensão.
No mesmo dia 22 de Outubro, á
tarde, durante a visita diária
do Dr. ????, a requerente argumentou
que estava preocupada com a febre
alta de Mauricio e o Dr. ???? disse
que isso era absolutamente normal
depois de uma cirurgia de tal magnitude.
A partir deste instante a requerente
passou a monitorar a temperatura de
Mauricio e constatou que ela não
voltou mais a ser normal e variava
entre 37,2 até 37,8. Confrontando
o Dr. ???? com esta informação
o mesmo disse que tal temperatura
não caracterizava nem febre,
nem estado febril.
Foi
confrontado com a pergunta relacionada
ao que todos sabem. Quando existe
febre existe infecção.
Será que não seria o
caso de exames mais aprofundados?
O Dr. ???? disse que isso era absolutamente
desnecessário.
Dentro
dessa internação, enquanto
estava presente o irmão de
Mauricio, Sr. José Adriano
Rezende Silva, o Dr. ???? determinou
a retirada da sonda nasogástrica
e Maurício disse que sentiu
que algo “estourou” dentro
dele. O Dr. ???? Simplesmente sorriu.
Mais ainda, o paciente referia dores
abominais intensas que partiam do
abdômen e subiam para o lado
esquerdo do tórax. O Dr. ????
dizia que aquilo era resultado de
gases e que seria resolvido se o paciente
andasse um pouco, mas o paciente estava
impossibilitado de fazê-lo,
assim a dor continuava. Exames para
diagnosticar se havia alguma coisa
mais grave com Mauricio não
foram feitos, nenhum ultra-som, nem
radiografia depois da cirurgia.
No
dia da alta médica foi novamente
dito pela família ao Dr. ????
que o paciente não estava bem,
continuando a referir fortes dores
abdominais e praticamente impossibilitado
de caminhar, o que foi completamente
ignorado pelo Dr. ????, que sem dar
qualquer atenção às
queixas de Mauricio simplesmente perguntou
se ele queria ir embora para casa,
então Mauricio respondeu que
sim - que se aquelas dores eram normais
ele preferia estar em sua casa, o
que é bem natural, pois o ambiente
hospitalar é peculiarmente
opressivo. O Dr. ???? então
respondeu: “Vou dar alta para
você.” Pelos familiares
foi dito ao Dr. ????, novamente: “Como
você pode dar alta a ele com
essas dores e a febre?” Irritado
o Dr. ???? voltou a dizer que não
era febre e que a dor era normal,
ao que a requerente respondeu: “Se
você, que é medico, acha
que não há nada de errado
quem sou eu para dizer o contrario”.
Assim a família, contrariada
aceitou sua alta, embora continuasse
a dizer para o Dr. ???? que ele não
tinha condições para
tal.
Mauricio
recebeu alta médica no dia
25/10/2003, referindo ainda estar
com muitas dores. Tais dores não
desapareceram em nenhum momento depois
da cirurgia. Pelo contrário,
naquele mesmo dia foi levado para
sua residência e as dores foram
aumentando. Desde o dia 19 até
o dia 23 de Outubro ele ficou em quase
completo jejum, primeiro por causa
da cirurgia depois por causa da dor.
Cerca das 22 horas do dia 25/10 a
família entrou em contato com
o Dr. ???? dizendo que o paciente
estava com fortes dores e este disse
que se houvesse algum remédio
em casa que servisse como analgésico
deveria ser dado ou senão deveria
ser-lhe aplicada uma injeção
de Voltarem. Perguntou para a requerente
se o paciente estava andando e foi-lhe
respondido que o paciente continuava
no mesmo estado que se encontrava
no Hospital, ou seja, sem condições
de mobilidade, com fortes dores, e
com a temperatura acima de 37º
e o Dr. ???? informou que estava cansado
de dizer que 37º não era
febre, nem estado febril.
No
dia 26, a requerente entrou em contato
novamente com o Dr. ????, pois Mauricio
estava cada vez pior, pediu para que
ele viesse até sua casa para
ver Mauricio, pois o mesmo estava
até chorando de dor, e o Dr.
???? respondeu que não poderia
ir, que se a requerente quisesse,
que o levasse ao hospital. A requerente
informou que Mauricio não estava
conseguindo nem se mover na cama,
e que a requerente pagaria pela consulta
se fosse necessário, mas o
Dr. ???? continuou a afirmar que não
viria, que a mesma “desse um
jeito”. Foi assim que a requerente
chamou o SAMU.
Conforme
documento de fl. 30 (relatório
anexo) em 26/10/2003, o mesmo foi
atendido pelo SAMU (Serviço
de Atendimento Municipal de Emergência)
referindo fortes dores abdominais.
Foi novamente internado, tendo sido
admitido com temperatura de 39º,
o que caracteriza febre alta, própria
de processo inflamatório e
infeccioso. O trajeto entre o bairro
Narciso Gomes, residência de
Mauricio, e o Hospital precisou ser
feito em 25 minutos, tamanha a intensidade
das dores de Mauricio. Normalmente
tal trajeto pode ser perfeitamente
coberto em menos de 10 minutos. Bom
lembrar que durante o trajeto Mauricio
necessitou utilizar durante todo o
tempo máscara de oxigênio.
Na
recepção do Hospital
São Luis a médica plantonista
que atende Mauricio informa que não
poderia dar-lhe nenhum remédio
para dor porque ele estava muito distendido
e provavelmente ele iria direto para
o centro cirúrgico. O Dr. ????
apareceu, retirou a borracha externa
do dreno, cheirou esta borracha e
pediu que fossem tiradas radiografias
e feita a internação.
Ato contínuo foi embora do
Hospital sem sequer ver o resultado
das radiografias. Mauricio continuava
com fortes dores. Pediu a uma médica
que lhe desse algum sedativo para
dormir, mas a médica disse
que precisavam contatar o Dr. ????.
Mauricio chorava e implorava, mas
em vão. O Dr. ???? não
apareceu mais naquela noite. Houve
muita demora neste atendimento. Mauricio
chegou ao Hospital por volta das 21:30
horas e somente foi medicado para
atenuar suas dores por volta das 23:00
horas. Durante esse período
gemia e chorava de dor.
Naquela
noite as enfermeiras insistiram em
colocar sonda nasogástrica
no Mauricio e ele não agüentava
a dor e desta forma não conseguiam
colocá-la. Ele implorava por
uma anestesia ou um sedativo e elas
diziam que não era possível
e que este procedimento, da colocação
da sonda, havia sido prescrito pelo
Dr. ????. Tentaram colocar a sonda
por 5 (cinco) vezes, com excruciante
dor para Mauricio. Bom lembrar que
na primeira tentativa da colocação
da sonda começou novamente
a vazar nos pontos da cirurgia. Novamente
a quantidade de liquido que vazava
da cirurgia era muito grande e que
molhou novamente os lençóis,
necessitando ser trocado várias
vezes. Foi chamada a médica
plantonista daquele corredor e a mesma
apenas medicou Mauricio com Dramim
e Buscopan. A requerente disse que
as enfermeiras parassem o procedimento
da colocação da sonda
e telefonassem para o Dr. ????, mesmo
assim as enfermeiras continuavam tentando
colocar a sonda e diziam que haviam
telefonado mais de três vezes
para o Dr. ???? e segundo elas o médico
insistia no procedimento dizendo que
após a colocação
da sonda as dores desapareceriam.
Esses fatos foram presenciados em
parte pela outra irmã de Mauricio,
Vanilda Rezende Silva. (relatório
anexo fl. 35 verso).
Cerca
de 4 horas após a última
tentativa de colocação
da sonda o Dr. ???? apareceu no quarto.
Mauricio disse que não suportava
a colocação da sonda
sem um anestésico ou sedativo.
O Dr. ???? disse que era óbvio
que ele não agüentaria.
A requerente perguntou então
porque o paciente foi praticamente
torturado durante a noite inteira.
O Dr. ???? disse que na primeira ligação
telefônica havia informado que
este procedimento não deveria
mais ser realizado, alegação
esta negada pelas enfermeiras. Ao
ser indagado sobre a necessidade de
nova cirurgia desconversou. A família
e o paciente somente souberam que
Mauricio seria novamente submetido
a cirurgia através das enfermeiras.
A
família não recebeu
qualquer explicação
sobre o porque daquela cirurgia. Do
ponto de vista da família a
única coisa que ocorria com
Mauricio é que ele tinha gases
na região abdominal e com essa
informação e expectativa
é que aguardaram a cirurgia.
Mauricio foi levado ao Centro Cirúrgico
do Hospital. Conforme o documento
de fls. 39V tal procedimento seria
uma revisão da hemicolactomia,
ou seja, da retirada da colostomia
e religação do intestino.
Durante o procedimento Mauricio teve
uma parada cárdio-respiratória
e foi foi encaminhado ao Centro de
Terapia Intensiva (CTI). Enquanto
a família aguardava o médico
para perguntar sobre como havia sido
a cirurgia a requerente perguntou
a enfermeira YYYY o que havia de fato
acontecido para necessitar da cirurgia.
Esta enfermeira entrou no Centro Cirúrgico
e informou que o problema era de deiscência
de anastomose, que significa que um
dos pontos da cirurgia de religação
do intestino feita pelo Dr. ???? havia
se rompido (Relatório anexo
fl. 42).
Após
a cirurgia e sem o conhecimento de
que o Mauricio houvera sofrido uma
parada cardíaca a requerente
indagou do Dr. ???? como havia sido
a cirurgia. Ele disse: “Voltamos
a estaca zero, ele voltou a usar a
colostomia”. Nesta ocasião
a requerente estava em companhia de
sua irmã Elizabeth Rezende
Silva e da Sra. Elizabeth Bezerra.
Em nenhum momento o Dr. ???? informou
que o Mauricio houvera sofrido uma
parada cardíaca, durante a
cirurgia, negando informação
vital para a requerente. Da mesma
maneira o Dr. ???? disse que o divertículo
que houvera sido extirpado na primeira
cirurgia é que tinha infeccionado
de novo, como se isso fosse possível,
uma vez que tal divertículo
foi retirado. Somente após
conversa com o cardiologista Dr. ****
é que lhe foi prestada tal
vital e determinante informação.
Uma
das médicas da CTI, Dra. (),
em conversa com a requerente confirma
que o problema que resultou na cirurgia
foi realmente o rompimento de um dos
pontos da religação.
Por não receber qualquer informação
do Dr. ???? e ter ouvido explicação
que era impossível de acontecer
tal rompimento, a requerente ligou
para um medico conhecido, Dr. ####
e pediu conselho e ajuda, relatando
tudo o que havia ocorrido com seu
irmão e as mentiras contadas
pelo Dr. ???? foi aconselhada a ir
até o consultório do
Dr. ???? e pedir maiores explicações,
pois ele acreditava que foi o nervosismo
que fez com que o Dr. ???? não
se explicasse bem, pois uma parada
cardíaca em uma cirurgia era
difícil para qualquer médico,
e só se ele insistisse com
as mentiras que é que a requerente
deveria procurar outro médico.
(Relatório anexo fl. 39 verso).
Seguindo
seu conselho, a requerente e seu irmão
Mauri Rezende da Silva, foram então
até o consultório do
Dr. ???? e lá a requerente
perguntou o que de fato havia acontecido
com seu irmão, pois não
havia entendido o que ele tinha falado
ainda no hospital. Foi então
que ele repetiu as mesmas palavras,
ou seja “o divertículo
que foi tirado inflamou de novo”.
Quando perguntou-se sobre a parada
cardíaca havida na cirurgia,
o Dr. ???? perguntou dissimuladamente:
“Que parada?” A requerente
informou que houvera falado com o
Dr. ****. Neste momento o Dr. ????
disse: “Ah... aquilo. Aquilo
não é nada.” A
requerente perguntou: “Uma parada
cardíaca não é
nada?”. Ao que o Dr. ???? respondeu:
“Não é nada. Isso
é normal. É rotina”.
A
requerente tentou contatar outros
dois médicos para que assumissem
o caso, mas nenhum deles se dispôs
por motivos éticos. Naquele
mesmo dia a requerente voltou ao Hospital
e o Dr. ????, que estava conversando
na ocasião com o Dr. ####,
pela primeira vez lhe disse que o
estado de seu irmão era grave,
que ele estava consciente, mas que
ainda corria risco de vida. Tal afirmação
foi feita apenas algumas horas depois
dele mesmo ter afirmado que estava
tudo bem. Essa foi a última
vez que ele falou com a família.
A partir daí a requerente solicitou
o prontuário do irmão,
pois queria as respostas que ele se
negou a dar, mais isso lhe foi negado,
inclusive pelo diretor clínico
da Santa Casa, Dr. &&&&,
alegando que Mauricio estava sendo
muito bem atendido e que inclusive
o cateter colocado nele foi uma escolha
entre ele e outro paciente que também
necessitava, uma vez que o hospital
só dispõe de um, nesse
dia Mauricio ficou consciente pela
ultima vez, mantido em coma induzido,
e não retornou mais à
consciência.
No
dia 1º. de Novembro a requerente
foi chamada pelo Hospital por volta
das 6:00 horas da manhã e informada
que seu irmão, 38 anos, perfeitamente
saudável, alegre e disposto
antes da cirurgia mal-sucedida feita
pelo Dr. ????, morrera.
Na
CTI foram-lhe administrados os antibióticos,
segundo os médicos de 1ª
2ª 3ª 4ª geração.
O diagnóstico da autopsia foi
de septicemia (infecção
generalizada). Relatório anexo
fl. 79. Feita a necropsia o laudo
pessimamente redigido não constatou
o corte da colostomia e foi completamente
evasivo com respeito a causa da septicemia.
De
lá para cá a vida da
requerente desmoronou. Tem dificuldades
para dormir, concentrar-se, sorrir.
A requerente entende que é
perfeitamente possível que
uma cirurgia não seja completamente
bem-sucedida por motivos diversos,
mas o que dói é a completa
insensibilidade do Dr. ???? as queixas
do paciente e da família. Se
houvesse dado maior atenção
aos reclamos legítimos e não
apenas “empurrado com a barriga”
o problema, certamente, Mauricio poderia
ter reais chances de ser salvo. Da
maneira como foi tratado, não
estamos diante de um caso de fatalidade
e sim da mais completa negligência.
Que
o Hospital São Luis, cuja entidade
mantenedora é a Irmandade da
Santa Casa de Misericórdia
de Araras é solidariamente
responsável por manter tal
profissional em seus quadros e por
não ter tomado pronta ação
para resolver o problema que ceifou
a vida de um ser humano. A responsabilidade
do hospital é objetiva nos
termos do artigo 37, § 6º
da Constituição Federal.
O hospital requerido se negou a entregar
o prontuário antes e depois
da morte de
Mauricio,
inclusive por escrito, foi feito um
Boletim de Ocorrência e instaurado
inquérito de nº 050/2003,
uma vez que foram negados os direitos
da família de ter acesso ao
prontuário médico, valendo
ressaltar que o Hospital Pró-Saúde
imediatamente entregou o prontuário
assim que foi solicitado o prontuário,
só foi entregue com medida
judicial, e faltando, documentos que
até hoje não foram entregues.
existe o inquerito policial processo
cívile denúncia no CRM,
audiência marcada para o 20/07/03
e muitas perguntas sem respostas:
1)
Em quantos dias uma inflação
e posteriormente uma infecção
podem se transformar em septicemia?
2)
Em quantos dias fezes saídas
do intestinos e vazando para a caixa
abdominal tornam-se responsáveis
por septicemia?
3)
Quais os sintomas da septicemia?
4)
No caso de septicemia o paciente refere
dor? Em caso afirmativo, onde?
5)
Após a cirurgia, com febre
de 39,5º qual o procedimento
a ser adotado pelo médico?
Solicitação de exames?
Administração de anti-térmicos?
6)
Constitui fator preocupante a demora
em debelar o estado febril?
7)
É normal a febre ou estado
febril durar 6 dias? Em caso negativo
que providencias deveriam ser tomadas?
8)
Quais as possíveis causas da
dor intensa sentida por Mauricio em
seu lado esquerdo? Qual o procedimento
para investigar a origem das dores?
9)
O que sugeriria uma queixa do paciente
dizendo que a dor que sentia começava
pelo local do dreno e ficava insuportável
irradiando-se até o ombro esquerdo?
10)
Quais os sintomas de que alguém
possui gases abdominais? Onde o paciente
referiria dor neste caso?
11)
Quais os exames podem ser efetuados
para determinar se houve rompimento
de pontos de uma cirurgia? Tal procedimento
seria possível de ser feito
no Hospital requerido?
12)
Se os pontos da cirurgia se romperam,
quais os sintomas que deveriam aparecer
e que providencias deveriam ter sido
tomadas?
13)
Quanto tempo pode-se esperar para
que tal providencia seja adotada?
14)
Após vários dias da
cirurgia, com dor intensa, temperatura
anormal e muito distendido, seria
o caso de se dar alta médica
para um paciente? Quais procedimentos
deveriam ser adotados num Casio assim?
15)
No caso de a distensão ser
tão grande que vazou sangue
e outros fluidos corporais entre os
pontos externos, como de fato ocorreu,
que conduta deveria adotar o médico
responsável? Seria o caso de
retorno ao Centro cirúrgico
para cirurgia exploratória?
Quanto tempo se poderia esperar? O
que ocorreria se aos primeiros sintomas
o mesmo fosse levado ao Centro Cirúrgico?
16)
Espera-se cerca de 10 horas, da internação
com quadro de septicemia para a realização
de cirurgia? Aumenta-se o risco com
a passagem das horas? Qual a evolução
da septicemia?
17)
Qual a conduta correta para começar
a mediação? Antibióticos
mais leves e depois mais potentes,
ou já os mais potentes diante
do caso grave, como o relatado?
18)
Uma parada cardíaca é
normal durante uma cirurgia como exposto
pelo médico aos familiares?
19)
Paciente e familiares tem direito
de acesso ao seu prontuário
clínico, ou necessitam de ordem
judicial para consegui-lo?
20)
É padrão o medico legista
entrar em contato com o cirurgião
suspeito de negligencia antes de elaborar
o laudo de uma autópsia?
21) Estando muito distendido, ao ponto
de vazar liquido, é razoável
acreditar tratar-se somente de gases
intestinais?
22)
Em quanto tempo as chances de um paciente
aumentam se este for levado ao centro
cirúrgico imediatamente? E
em quanto diminui se somente o for
após 10 horas do ocorrido?
23)
Como é possível um legista
não ver uma colostomia?
24)
Nesse caso ficou claro que o legista
omitiu a colostomia, ou será
apropriado presumir que não
foi o legista que omitiu e sim Mauricio
que teve seu corpo adulterado depois
de morto, ainda no hospital antes
de seu corpo ser retirado pelos familiares.
Como é possível saber
se isto de fato aconteceu? Seria necessária
uma exumação?
25)
O motivo para se fazer a necropsia
era obter respostas, mais ela só
trouxe mais perguntas. Porque não
foi respondido quais eram todas as
causas da morte? Porque não
foi descrito o estado dos órgãos?
26)
Essa não consta no processo:
que motivos tem o médico para
mudar o lugar do dreno?
PS: se o paciente foi para o Centro
Cirúrgico com um dreno do lado
direito, por quê sair com o
dreno em outro lugar?
CONTATO:
provida_sos@hotmail.com
E-MAIL:
provida.sos@gmail.com