::Meu filho: Uma vida
interrompida::
(Chafiha Felippe
Salomão)
No
nosso momento de luto e pranto, dói
muito pensar no sofrimento físico
do nosso filho Waldemiro, no suplício
a que foi submetido durante os meses
finais, meses intermináveis
de martírio, em que seu corpo
sofreu todas as dores e padecimentos
do mundo.
É
imaginá-lo dolorido, queimado
pela placa do bisturi elétrico,
obstruído pela inversão
de uma alça intestinal, dores
na perna pela anestesia mal direcionada,
sucessivas operações
para corrigir um diagnóstico
tardio, imperícia de uma equipe
que a tudo presenciou sem, contudo,
mudar o rumo de uma rota desviada,
falta de humildade de um profissional
em transferir a tempo para outro médico
mais credenciado o erro desastroso
que cometera. Tudo isso soa de forma
cruel e dolorosa em nossos corações
de pais, irmãos, parentes e
amigos...
Quando
estamos diante da inevitável
dor que cruza o nosso caminho, então
somos obrigados a buscar um sentido
para o que está acontecendo,
superar o medo, e dar início
ao processo de reconstrução.
Quando
um filho morre, todos nós morremos
um pouco, e o mundo inteiro fica sem
sentido... Não há outro
remédio senão prosseguir,
qualquer que seja a magnitude da dor
de quem sobrevive... A vida e suas
possibilidades boas e ruins sempre
se impõe!
Houve
um descarrilamento...
Perder
um filho nos submerge na maior dor
que um ser humano é capaz de
sentir!
Nas
horas de desamparo, saudades e catarse,
em que o coração fica
vazio e a cabeça perde a lucidez,
surgem perguntas que não sabemos
responder, aparecem dúvidas
a respeito da classe médica,
mas entendemos que não podemos
generalizar, existem sim, médicos
conscientes, assim como advogados
íntegros e o melhor da natureza
humana nestes momentos de perda suprema:
a compaixão.
Nossos
corações ficarão
plenos e nossas cabeças mais
leves, quando a verdade se impor.
A justiça sendo feita, a ética
prevalecendo, certamente não
perderemos nossa lucidez...
Estamos
em prantos...
Que Deus abençoe a todos...
Que tenhamos a Paz!
(Jornal
Panorama - 9 de abril de 2005 - Juiz
de Fora - MG)