Caso
Renata Vieira Gonçalves Lopes
Brasília - DF
Matérias
publicadas no Jornal Correio Braziliense
Em
estado vegetativo
Mulher
de 32 anos está há 135
dias em coma, depois de se submeter
a uma cirurgia em clínica do
Lago Sul. A família dela acusa
a equipe que a operou de negligência
e erro médico. Cirurgião
diz que foi uma fatalidade. Caso será
apurado pelo CRM
A
secretária executiva Renata
Vieira Gonçalves Lopes, 32
anos, funcionária da presidência
da Embrapa, sofreu lesões cerebrais
graves e está em estado vegetativo
desde 28 de fevereiro, quando foi
submetida a uma videolaparoscopia
na clínica Cenafert, no Lago
Sul. A família dela acusa o
dono da clínica e a equipe
que a operou de negligência
e erro médico.
Renata, praticante de dança
flamenca, é casada há
11 anos com o bancário Carlos
Alberto Pereira Lopes, 36. No início
do ano, o casal procurou o dono da
clínica, o ginecologista e
especialista em reprodução
humana Joaquim Roberto Costa Lopes,
para saber por que ela não
conseguia engravidar, depois de três
anos de tentativa.
O médico é pioneiro
em videolaparoscopia no Distrito Federal
e afirma já ter feito aproximadamente
dois mil procedimentos semelhantes.
A cirurgia é considerada relativamente
simples e consiste na introdução
de uma microcâmera no abdôme
da paciente para verificar os órgãos
internos. Renata sofreu queda de pressão
e falta de oxigenação
do cérebro quando voltava da
anestesia geral.
O médico Joaquim, dono da clínica,
é presidente da Sociedade Brasileira
de Reprodução Humana.
Para ele, o que aconteceu com Renata
foi uma ‘‘fatalidade’’.
Joaquim nega que tenha ocorrido erro
médico.
‘‘Houve
uma negligência, uma irresponsabilidade.
Eles abandonaram minha filha’’,
acusa o pai de Renata, o funcionário
público aposentado Luiz Felippe
Gonçalves, 61, que está
fundando a Associação
de Vítimas de Erro Médico
de Brasília.
Troca
de acusações
De
acordo com o pai de Renata, o aposentado
Luiz Felippe, o anestesista que iniciou
a operação da filha,
o médico Demetrius Magnus de
Araújo Ribeiro, deixou a sala
de cirurgia e saiu para outro compromisso
antes do fim do procedimento. No lugar
dele, ficou a também anestesista
Christine Soares Tavares. ‘‘Realmente
tive que sair por motivos de força
maior. Mas deixei a paciente com uma
profissional qualificada. Esse é
um procedimento corriqueiro’’,
diz. A médica Christine não
foi encontrada para comentar o caso.
Depois de passar mal, Renata foi levada
para a Unidade de Terapia Intensiva
do Hospital Brasília, também
no Lago Sul, onde ficou durante três
dias. De lá, seguiu para uma
estada de 53 dias no Hospital Barra
D’Or, no Rio de Janeiro. Hoje,
está presa a uma cama no hospital
Sarah Kubitschek.
A família dela registrou uma
ocorrência por lesão
corporal na 10ªDelegacia de Polícia
(Lago Sul), entrou com uma representação
na Promotoria de Defesa dos Usuários
dos Serviços de Saúde
(Pró-Vida) e denunciou o caso
ao Conselho Regional de Medicina do
DF.
O doutor Joaquim também pediu
a abertura de sindicância no
CRM para apurar o episódio.
Ele fez isso no dia 23 de maio, depois
que a família iniciou uma campanha
pública contando o caso.
A família de Renata espalhou
panfletos pela cidade com fotos da
filha antes e depois da cirurgia.
As fotos também foram divulgadas
pela Internet. O médico Joaquim
registrou ocorrência por calúnia
e difamação na 10ªDP
(Lago Sul). ‘‘Não
abandonamos a paciente. Isso também
nos causa sofrimento’’,
disse o médico.
A denúncia formal contra a
clínica foi apresentada ao
CRM-DF, há duas semanas, pelo
pai de Renata. Uma sindicância
foi aberta para apurar o caso. Os
médicos citados deverão
apresentar cópias do prontuário
da paciente, de exames laboratoriais,
do boletim anestésico e do
relato da cirurgia. Depois que esses
documentos forem recolhidos, um conselheiro
será indicado para dar um parecer,
que poderá indicar a improcedência
da denúncia ou recomendar a
abertura de um processo ético-profissional.
Processo
Em seguida, esse parecer será
apreciado pela Câmara do CRM-DF,
formada por no mínimo cinco
conselheiros. ‘‘Se a Câmara
entender que o processo deve ser aberto,
os médicos serão convocados
a prestar depoimento e poderão
arrolar até cinco testemunhas’’,
explica Luís Fernando Galvão
Salinas, presidente do Conselho Regional.
A etapa seguinte será a emissão
de um relatório que irá
a julgamento. Se forem condenados,
os médicos poderão receber
cinco punições diferentes:
advertência e censura confidenciais,
censura pública, suspensão
do exercício profissional por
30 dias e até cassação
do registro.
A família de Renata se prepara
agora para a volta dela para casa.
A equipe do Sarah está treinando
os pais para esse momento. Luiz Felippe
já comprou uma Kombi para levar
a filha para exames e tratamento.
E um quarto do apartamento, na Asa
Sul, está sendo adaptado para
as necessidades dela. Um serviço
de home care (atendimento médico
em casa) também será
contratado. ‘‘Isso tudo
trouxe um sofrimento para ela e para
a família a ponto de eu, o
pai, já ter pedido para que
Deus levasse a minha filha’’,
conta o aposentado.
Jornal: Correio Braziliense
- 13 de Julho de 2002
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CASO RENATA:
Missa
no Eixão Sul pede volta de
Renata
Cerca
de 600 pessoas participaram de uma
missa campal no Eixão Sul,
ontem de manhã, em frente à
quadra 202, para rezar por Renata
Vieira Gonçalves Lopes, 32
anos. ‘‘Deus precisa nos
ajudar a trazer Renata de volta’’,
pediu o pai dela, o funcionário
público aposentado Luiz Felippe
Gonçalves, 61 (foto). Renata,
funcionária da presidência
da Embrapa, sofreu lesões cerebrais
graves e está em estado vegetativo
desde 28 de fevereiro, quando foi
submetida a uma videolaparoscopia
na clínica Cenafert, no Lago
Sul. A família acusa o dono
da clínica, Joaquim Roberto
Costa Lopes, e a equipe que a operou,
de negligência e erro médico.
Todos os presentes usavam camisetas
brancas com fotos de Renata antes
e depois da videolaparoscopia.
Sindicato
apóia médico
O
Sindicato dos Médicos do Distrito
Federal (SindMédico) organizou
uma missa em apoio ao médico
Joaquim Roberto Costa Lopes e ao anestesista
Demetrius Magno, acusado pela família
de Renata. Cerca de 500 pessoas foram
à igreja São Camilo,
na 303/4 Sul, às 11h. Os amigos
assinaram uma carta aberta em solidariedade
a Joaquim, onde dizem que ‘‘a
perda de um ente querido não
pode se transformar em cadafalso para
condenações sem julgamento
com a execração pública
de reputações arduamente
construídas ao longo do tempo’’.
De acordo com o presidente do SindMédico,
Francisco Rossi, a missa foi a pedido
dos médicos sindicalizados
que se solidarizaram com o colega.
Jornal:
Correio Braziliense - 19 de Agosto
de 2002
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CASO RENATA:
À
espera do despertar
O
drama de parentes e amigos de pessoas
que entram em estado de coma. a angústia
pode durar dias, meses, anos...
A
pessoa amada está ali, ao alcance
das mãos. Mas ao invés
de conforto a sensação
é de angústia. Você
fala, ela não escuta. Toca,
ela não sente nada. Nenhuma
reação. O rosto sem
expressão definida. Ora parece
desamparado, ora triste. Passam-se
horas, dias, meses, às vezes
anos. Nada acontece. A única
alternativa é esperar, esperar...
Esperar que o objeto do seu afeto
saia do coma e volte a viver.
Carlos
Alberto Lopes, 38 anos, convive com
essa aflição desde fevereiro.
A esposa Renata — que hoje completa
33 anos — entrou em coma depois
de um exame de videolaparoscopia (para
verificar por que ela não conseguia
engravidar). A suspeita é de
erro médico. ‘‘Minha
vida se resume em esperar, 24 horas
por dia, algum sinal de melhora.’’
Nessas horas um simples piscar de
olhos é motivo de alegria.
Mas Renata não faz nem isso
desde que saiu da clínica de
fertilização, há
nove meses.
Renata
está em estado vegetativo.
Apesar de respirar sozinha e não
precisar de aparelhos para viver,
ela não compreende nada do
que ocorre a sua volta. Os olhos estão
abertos, mas o coma continua profundo.
Ela não enxerga, não
se move, não fala e nem come
com a boca. A alimentação
é feita por meio de uma sonda,
ligada a sua barriga. O máximo
que faz é gemer de dor, porque
suas mãos e pés ficam
amarrados para não atrofiar
ainda mais, pela falta de uso.
‘‘Às
vezes fico desesperado de ver minha
filhinha desse jeito’’,
diz o pai, Luiz Felipe Gonçalves.
‘‘Já cheguei a
ficar tão desnorteado que pedi
a Deus que se decidisse logo. Se for
para levá-la, que leve de uma
vez. Se não, quero vê-la
recuperada. Desse jeito é que
não pode ficar.’’
Renata
passou oito meses internada em um
hospital. Há cerca de 30 dias,
saiu para morar na casa dos pais,
na Asa Sul. O apartamento foi totalmente
adaptado às suas necessidades.
Ela dorme em uma cama hospitalar,
tem uma cadeira de rodas para levá-la
para passear e uma equipe de enfermeiros,
nutricionistas e fisioterapeutas à
sua disposição. Um gasto
de cerca de R$ 8 mil por mês
para a família.
Quem
passa a maior parte do tempo com Renata
é a mãe, dona Beth.
É ela quem dá comida
e ajuda a mudar a filha de posição.
‘‘É preciso muita
resignação para aceitar
o que está acontecendo’’,
resume. ‘‘Nossa família
sempre foi muito festeira, mas agora
não há mais espaço
para alegria nesta casa.’’
Fale
com ela
O drama de quem convive diariamente
com pessoas em coma foi levado às
telas pelo premiadíssimo diretor
espanhol Pedro Almodóvar (Ata-me,
Carne Trêmula e Tudo sobre minha
mãe, entre outros). O filme
Fale com Ela — em cartaz em
cinco salas da cidade — conta
a história de dois homens solitários,
envolvidos com mulheres que entram
em coma. Na ficção,
o enfermeiro Benigno tem certeza de
que os pacientes em coma escutam tudo
à sua volta. Principalmente
as mulheres, cuja alma é um
mistério insondável.
Na
vida real, a mãe de Renata
tem a mesma convicção.
Dona Beth — uma senhora de cabelos
grisalhos e fala mansa — sempre
fala com a filha. ‘‘Quero
que ela saiba que estou ao lado dela
nesse momento.’’
Carlos
também conversa com Renata,
embora sinta que ela não entende
nada. Ao chegar do trabalho, ele sempre
diz algumas palavras, dá um
beijo e repete: eu te amo. ‘‘Faço
isso para não enlouquecer’’,
confessa. ‘‘Tenho de acreditar
que ela ainda está aqui, de
alguma maneira.’’
Segundo
o médico Carlos César
Schleicher, especialista em Unidade
de Terapia Intensiva (UTI), a mente
de uma pessoa em coma ainda é
um mistério. Ele próprio
tratou de pacientes que escutaram
e compreenderam tudo o que se disse
a sua volta. Outros não recordam
de absolutamente nada. Como se tivessem
viajado no tempo e acordado alguns
dias ou meses depois. ‘‘Na
dúvida, é melhor conversar
com a pessoa’’, ensina.
Carlos
segue o conselho. E enquanto tiver
esperanças, usará duas
alianças douradas na mão.
A dele e a de Renata. No peito, o
coração de ouro que
a mulher usava. Por meio desses objetos,
o funcionário público
de 36 anos sente a presença
da companheira, com quem está
casado há 11 anos. A casa onde
moravam está fechada desde
o dia do exame — quando Renata
saiu de casa com esperanças
de, em breve, engravidar. O lugar
é repleto de fotos de um casal
sorridente e ativo. Mas nem o homem
nem a mulher da foto são os
mesmos. A Renata de hoje tem olhar
vazio e as pernas — torneadas
pela natação e dança
flamenca — deformadas. O homem
também mudou muito. Está
oito quilos mais magro e com uma indescritível
expressão de tristeza estampada
na cara.
A dor da incerteza
É
impossível determinar se uma
pessoa em coma vai ou não acordar.
E, se acordar, é muito arriscado
prever em quanto tempo irá
se recuperar. Tudo depende da gravidade
e do local da lesão cerebral.
Quanto mais superficial o dano, melhor
para o paciente.
Essa
indefinição em relação
ao futuro agrava ainda mais o sofrimento
de quem tem parentes ou amigos em
coma. ‘‘A aflição
de não saber o que vai acontecer
é insuportável’’,
define a funcionária pública
Tarsila Pontes, 31 anos. ‘‘É
uma dor que não desejo nem
para o meu pior inimigo.’’
Tarsila
teve o azar de enfrentar o problema
duas vezes. Há cerca de três
anos, o então namorado sofreu
um acidente de carro e passou um mês
em coma no hospital. Como perdeu massa
encefálica, ele nunca mais
se recuperou totalmente. As seqüelas
foram lapsos de memória, dificuldade
para falar e agressividade. Um ano
depois, o irmão também
se acidentou e foi parar na UTI. Foram
12 dias de agonia. ‘‘Teve
um médico que me disse: seu
irmão vai morrer. Eu fiquei
completamente desesperada.’’,
lembra Tarsila. Ao contrário
dos prognósticos, Jean Paul,
hoje com 23 anos, sobreviveu. O rapaz,
também funcionário público,
não teve nenhum problema permanente.
‘‘Quando
você sai do coma, não
é igual ao que se mostra no
cinema’’, conta Jean Paul,
que também é funcionário
público. ‘‘Leva
algum tempo até você
cair na real e voltar a viver.’’
No dia em que saiu do coma, Jean não
lembrava de quem era e nem reconheceu
os parentes. Em seguida, vieram os
rompantes de raiva. Ele achava injusto
ficar amarrado na cama de um hospital,
igual a um prisioneiro, sem ter feito
nada. Não adiantava explicar
que aquela era uma medida de segurança
para evitar que ele caísse
da cama.
Voltar
a andar foi outro processo gradual.
Primeiro Jean ficou preso a cadeiras
de rodas, depois a muletas. Passados
dois anos do acidente, recuperou completamente
os movimentos e, de vez em quando,
arrisca até uma corridinha.
Do tempo em que ficou em coma, Jean
não lembra. ‘‘Sei
que meus irmãos falavam comigo,
mas não lembro nada do que
disseram’’. Os doze dias
na UTI são como uma lacuna
em sua vida. Foram 288 horas que ele
jamais viveu. Mas isso não
o incomoda. ‘‘Afinal,
o que são 12 dias comparados
a vida inteira que tenho pela frente?’’
O
que é coma?
Uma
lesão definitiva ou temporária
do cérebro que compromete as
funções motoras e/ou
sensitivas de uma pessoa. Existem
graus de profundidade do mal, que
varia de uma simples confusão
mental ao coma profundo. Na literatura
médica existem registros de
pacientes que acordaram após
25 anos em coma. No entanto, a maioria
dos doentes que passa um longo período
nesse estado não se recupera
mais.
Jornal:
Correio Braziliense - 10 de novembro
de 2002
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CASO RENATA:
Promotor
acusa médicos por erro
O
Ministério Público do
Distrito Federal e dos Territórios
(MPDFT) apresentou no final da tarde
de ontem uma denúncia contra
os médicos Joaquim Roberto
Costa Lopes, Demétrius Magnus
de Araújo Ribeiro e Christine
Soares Tavares. Eles foram denunciados
sob a acusação de provocar
lesão corporal grave na servidora
pública Renata Vieira Gonçalves
Lopes, 33 anos, durante um procedimento
médico (videolaparoscopia)
na clínica Cenafert, no Lago
Sul, em 28 de fevereiro de 2002. Se
condenados pela Justiça, os
três podem pegar de dois a oito
anos de reclusão. Mas o promotor
Diaulas Ribeiro, da Promotoria de
Defesa dos Usuários de Saúde
(Pró-Vida), pediu cinco anos
de pena para os acusados. ‘‘Cada
um na sua parte, colaborou para o
mesmo resultado.’’ Desde
a realização da videolaparoscopia,
Renata encontra-se em estado vegetativo.
Há um mês, foi transferida
do Hospital Sarah Kubitschek, onde
passou seis meses, para a casa dos
pais na Asa Sul. Dois médicos,
cinco enfermeiras e duas fisioterapêutas
acompanham a paciente 24 horas por
dia. ‘‘Fui intimidado
a parar com o caso. Mas não
me intimidei e segui em frente.’’,
afirmou o pai de Renata, Luiz Felipe
Gonçalves. Os médicos
denunciados não foram encontrados
para falar sobre o caso.
Jornal:
Correio Braziliense - 20 de novembro
de 2002
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CASO RENATA:
Família
quer punir os médicos
Prontuários
da vítima teriam sido alterados
para encobrir a parada cardiorrespiratória
que provocou a lesão cerebral.
Se forem condenados, os três
acusados podem pegar até cinco
anos de cadeia e ainda ter de pagar
indenização.
A
família da funcionária
pública Renata Vieira Gonçalvez
Lopes não admite entrar em
acordo para livrar os médicos
Joaquim Ribeiro da Costa Leite, Demétrius
Magnus de Araújo Ribeiro e
Christine Soares Tavares do processo
por crime de lesão corporal
de natureza grave. O Ministério
Público apresentou denúncia
contra os três médicos
na terça-feira. A pena é
de dois a cinco anos de reclusão.
Renata vive em coma vegetativo desde
fevereiro, depois de ter sido submetida
a um exame de videolaparoscopia pela
equipe médica.
De acordo com o pai de Renata, Luiz
Felippe Gonçalvez, a família
não vai usar o dispositivo
da lei que permite o arquivamento
dos processos contra os médicos
em troca de acordos civis —
que poderiam incluir pedidos de indenização.
‘‘Queremos uma punição
exemplar para os médicos com
a ação criminal e também
vamos buscar as indenizações
por processos civis’’,
afirmou Luiz Felipe.
A denúncia foi apresentada
pela Promotoria de Defesa dos Usuários
dos Serviços de Saúde
(Pró-Vida). De acordo com o
promotor Diaulas Ribeiro, os indícios
apontam que a equipe médica
foi negligente. No dia 28 de fevereiro,
Renata foi internada no Centro de
Endoscopia e Assistência à
Fertilidade (Cenafert), do Lago Sul,
para fazer um exame que comprovasse
uma possível infertilidade.
Na denúncia, o Ministério
Público afirma que Demétrius
era o responsável pela anestesia
geral. Durante o exame, o anestesista
saiu da sala com a autorização
de Joaquim Ribeiro, que comandava
o procedimento, e foi substituído
por Christine. Só que os médicos
teriam abandonado Renata após
o exame, por pelo menos 15 minutos,
sem nenhuma assistência. Segundo
o promotor, foi a enfermeira encarregada
de levá-la para a sala de recuperação
que descobriu que ela já estava
cianótica — com a pele
arroxeada por conta da parada cardíaca.
Promotor
denuncia fraude
Na
denúncia apresentada pela Pró-Vida,
a conduta dos médicos ainda
apresenta um agravante: os horários
nos prontuários de Renata teriam
sido alterados para encobrir as complicações.
Na documentação apresentada
pela promotoria, os médicos
não citaram a parada cardiorrespiratória
que provocou a lesão cerebral
na paciente.
Fitas gravadas pelo serviço
UTI Vida, contratado de última
hora para transportar Renata, revelam
que Joaquim citou a parada cardiorrespiratória
quando negociava a remoção.
Uma nova tentativa de alteração
do prontuário teria sido feita
dentro do veículo, mas não
foi aprovada pelo diretor da equipe
de transporte. A Cenafert não
tinha convênios com UTIs de
hospitais. Renata foi internada no
Hospital Brasília porque havia
uma vaga disponível.
Depois do fato, a servidora pública
passou 53 dias internada em tratamento
intensivo, em um hospital do Rio de
Janeiro. Retornou a Brasília
e passou cerca de seis meses no Sarah
Kubitschek. Está em casa há
dois meses. De acordo com a família,
os custos mensais do tratamento passam
de R$ 10 mil — sem contar o
que é coberto pelo plano de
saúde. Até o fechamento
desta edição, os três
médicos acusados não
foram encontrados pelo Correio para
comentar o assunto.
Jornal: Correio Braziliense
- 21 de novembro de 2002
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CASO RENATA:
Justiça
promove audiência para acordo
A
3ªVara Criminal promove hoje
o encontro da família da funcionária
pública Renata Vieira Gonçalves
Lopes, 33, com o diretor da clínica
Cenafert, o ginecologista Joaquim
Lopes, e os anestesistas Demetrius
de Araújo Ribeiro e Christine
Tavares. Na audiência, a família
decidirá se aceita um acordo
com os médicos, o que suspenderia
o processo por lesão corporal
de natureza grave movido pelo Ministério
Público. Caso não aceite
o acordo, o processo correrá
normalmente e os médicos poderão
ser julgados e condenados a até
cinco anos de reclusão.Renata
foi submetida a uma videolaparoscopia
em fevereiro deste ano. Depois do
exame, a paciente teve uma parada
cárdio-respiratória
e, desde então, vive em coma
vegetativo.
Jornal:
Correio Braziliense - 05 de dezembro
de 2002
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