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Um olhar diferente em cada caso
Erros
existem. O perdão está
no coração de cada um
e longe de mim deixar de perdoar alguém
que tenha errado, apesar das inúmeras
tentativas de resolver a situação
e sanar o problema. Mas, quando o
fato esbarra no descaso, no orgulho
exacerbado e, pior, na onipotência,
onde Deus é apenas o coadjuvante
da história, isso foge ao meu
controle. Controle este de ser humano,
de mãe.
Perdi
meu filho, de 22 anos, não
por fatalidade, mas por vaidade, por
prepotência de um médico
que se "esqueceu" de todo
o seu juramento e deixou esvair de
suas mãos a vida promissora
de um ser humano. O sonho dele, na
época, era ser magro, ter uma
vida saudável. Aliás,
quem não tem objetivos? Vivemos
disso. A opção escolhida
por Waldemiro Salomão Neto
(meu filho) era a cirurgia de redução
de estômago. Apoiei-o na época
e o faria novamente. Não me
arrependo. Era a sua vontade e ele
via nisso um novo ponto de partida.
Lembro-me, até hoje, da alegria,
do carisma e da persistência
do meu menino. E foi sua perseverança
que o fez optar pela cirurgia, não
só por vaidade, mas porque
a gordura o atrapalhava, limitava
suas atividades, até as profissionais.
Por
indicação (isso sim
foi fatalidade), optamos pelo "melhor"
profissional para a cirurgia. Erros,
seguidos de erros, que acabaram tirando
a vida de "Miro" (como era
conhecido). E não foi tão
rápido. O suplício parecia
não passar. Dores, queimaduras
e a obstrução intestinal,
a qual acabou o levando, tirando de
nós, sua família, um
pedaço. Foram três meses
de martírio. Será que
não havia tempo para salvá-lo?
Neste período, Miro chegou
até a ter alta hospitalar.
Enfim, toda a luta em vão.
Era tarde demais!
No
entanto, não tão tarde
para a Justiça. A de Deus....
Não tenho dúvidas! A
dos homens... É por ela que
junto o que sobrou de mim e luto.
Como boa brasileira, não desistirei.
Por meu filho, por outras vidas que,
assim como a dele, foram tiradas,
espero, desde 2001, a Justiça.
Não tenho a ilusão de
que isso será um conforto para
a perda do meu filho, mas tenho a
certeza de que contribuirei para que
outras famílias não
passem pelo que passo até hoje.
Este erro eu não carregarei.
Esta será a minha contribuição.
Deixo
claro que não duvido do método
e do êxito da cirurgia de redução
de estômago. A Medicina evoluiu
e temos profissionais extremamente
competentes. Mas tenho apreensão
quanto a quem vai assumir o risco.
As probabilidades, todos sabemos,
não são pequenas. Mas
existem chances, muitos casos de sucesso.
Depende de quem está à
frente, da equipe médica. E
o bom médico faz de tudo para
salvar vidas. É a ética
médica. É o dever profissional,
que não pode ser subjugado,
reprimido.
Reafirmo
a minha luta. A vida continua. E a
minha última esperança
é o desfecho justo e digno
para essa história, que já
não suporta mais a hipocrisia
e a charlatanice.
Chafiha
Felippe Jabour Salomão
Maria do Carmo Barros Jabour